Persuasão
A Constância da Externalidade Artificial
Chegou a noite e eu só consegui vestir uma máscara, e fingir que as coisas foram diferentes… Ou fingir que eu me importava com os projéteis apontados à minha cabeça, admitindo que me pudessem causar alguma anomalia interna.
Eles não possuem identidade, matam-se na monotonia brutal enquanto tentam nos puxar para lá também. Como baratas, alimentam-se da miséria.
Morrer para dar vida, morrer por algo a exaltar
Não por eles.
Indiferença necessária, faço minha própria compaixão, com paixão.
Deve haver uma catarse. Onde está o relaxamento?
O homem possui escolha.
Eu não entendo.
É perigoso falar demais.
Sinto-me tão morto, porém não pretendo me enterrar.
Nessa consumação fatal,
Senti como se morresse
Minha alma, ao ponto final
De todo o interesse
Não gosto de escrever nada sobre vocês, que para mim têm relevância tão insignificante. Um deslize pode ser tão fatal, pois aguardam meu tropeço para a flagelação. Na mortificação, o homem castra a si mesmo; em minha ação, eu os castro. Estou seguro em mim mesmo. São muitas mentiras, um mundo de faz de conta. À noite pensam estar mais fortes, antes de provarem de minha crueldade.
Falsa contemplação, aprecio apenas brevemente. Estive ciente dos riscos, e mesmo assim fiz.
Mas eu sempre fui chamado de teimoso, e vi nisso uma qualidade. É muito difícil que me convençam para o não-ser.
O sol está se erguendo, é tarde demais.
Quando a lua de sangue se for, estarei de volta, e poderei passar a mão docemente em seus cabelos. Seu cheiro indecifrável me tira da prisão da mente.
Escrevo histórias sobre o passado, enquanto o cenário verde e azul se desfaz no cinza.
Minha pequena flor chorou.
Escrevo aspirações sobre o futuro, enquanto o espantalho da dúvida e do medo desfaz toda a tinta.
Minha alma gritou.
Disfarcei-me entre os ceifadores. Estarei liberto pelo… Amanhecer Noturno.


