Para Nunca Mais...
Contemplo falsas promessas, permiti-me ser atingido por mim mesmo com um golpe ainda mais forte: o ciclo vitimista.
Fecho os olhos e vejo muita devassidão, há guerras estonteantes influenciando o clima na consciência. No calor de um passado superestimado, o pensamento se joga. O frio, por sua vez, ainda é misterioso, indefinido.
Eu estou cercado pela falsidade.
Pensei conhecê-los quando a intimidade pareceu existir, era a tolice me inebriando.
Conclusões vagam entropicamente, deixo-as nascer como uma consequência natural.
Ao mesmo tempo, há outras ameaças semelhantemente grandes. Mas eu já tenho protótipo da resposta, e estou em busca da ação.
Não estarei deitado nas trincheiras. Minha essência ainda vive. A morte se desfaz em minha ascensão. Lutei contra o incapaz ofuscamento. Meus olhos ardem à noite, quando minha mente trai meu corpo.
Na manifestação do último fôlego, as chamas emergiram do inferno que manipuladores criaram, e os engoliram. A dor do encantamento deve me possuir inteiramente, mas você não me ouvirá rugindo de dor.
Volte, e conte-os histórias de honra e poder.
O universo se expande em minha criogenização, e o buraco negro engole o medo. A infinitude cósmica presenteia-me mais uma vez.
Amizade…
Pensei em minha devastação, devassidão; indecisos a um pertencem, mas de vários são.
Devastação da mente, ainda estou consciente, curiosamente. É a luz que poucos sentem, e que vem tão de repente, causando cegueira em muita gente.
Acordado, a queda pressenti; dormindo, a morte desejei: ela me disse que curaria minha dor.
Sucumbindo aos locais agonizantes, ofusquei a luz de meu coração: furei-o com dedos gelados e quase o arranquei. Faço perguntas que o passado responde sem permissão.
Esforço-me para capturar o gosto, para sentir o apreço correr por minhas veias… Poder descansar sob a ascensão da alma, que deve subir não para deixar o corpo, mas para elevá-lo.
Violentamente rabisco linhas banhadas de dor, e nem eu mesmo quis lê-las.
Antes dessa introspecção, o olhar se virou para longe de todo desgosto, mas não pôde assim se manter por muito tempo.
Lamentações.
Só consigo enxergar o total massacre de toda tentativa alegre.
Hoje o dia estava tão lindo, nutrido de uma beleza que eu não pude ver.
Havendo ou não significações sobre a dor nesse coro que constantemente pede por mais, é evidente que qualquer palavra dita pacificamente tenha valor nulo. O mal do rigor é a inadaptabilidade.
A única vontade que sinto parece ser a de não sentir nada.
Profundos desejos remotos de uma pseudotranscendência a qual é macroespacial, ou que está submersa na ótica temporal aprisionante, frutos do confronto entre especulações supostamente perfeitas e decepções definitivas e frias, contrapondo o cenário da saúde teatral ao da contemplação constante de potências inatas mas ofendidas por incapacidades nascidas da fraqueza trêmula: prometido como o último suprassumo da degustação daquilo que um dia se conheceu como o néctar divino e renovador, considerando a bela organização das células em vista de um objetivo homeostático.
Imagens sem qualquer conexão direta flutuam velozmente sobre as nuvens do pensamento: eis a dança doente de uma assimetria mente-corpo, o escutar de vozes silenciosas, mudas, completamente alteradas pela devoradora intoxicação da carência de significado; direcionamentos não direcionados apontados para o córtex manipulado de uma realidade inexistente e talvez improvável, onde as consumações são apenas reflexos de destruições internas da psique combatente.
Imaginações irrealistas doem como uma punhalada, mas cada palavras é também desconfortável e parece deslocada. Em verdade, não me apeteceu a morte tão deleitosamente quanto à dolorosa superação inflexível a despeito de toda e qualquer desgraça existente ou meramente fabricada, uma vez que a guerra já havia sido declarada contra toda manifestação ocultante de pífia desculpa infundada.
Mas parece simplesmente não haver outra opção apropriada além de minha entrega a um inferno gelado, onde sou ciclicamente torturado com o simples e contínuo combate aos monstros aterrorizantes, luta essa que, pela própria natureza da situação, estende-se a jamais ter fim ou descanso, e poderei apenas me deitar embaixo da fraca lembrança do que quis ser. Não há descanso para minha alma, ela apenas continua aguentando repetidamente um golpe mais doloroso que o outro, sem morrer, apenas para continuar sofrendo.
E essa percepção se torna ainda mais assustadora quando noto que nada que faço jamais desencadeia a total libertação dessa coreografia mórbida e defasada, nutrida e vestida de inocentes esperanças que logo são brutalmente estilhaçadas em meio à forte chuva de fogo e ácido. E seus fragmentos parecem vidro, quando caem sobre meus olhos e devastam minha visão.
Desconheci o prazer, e também já não mais me permito sentí-lo, aparentemente há apenas uma existência sem sabor, existência que apenas existe.
Mas uma espada reluzente é-me entregue, saindo do outro lado. Um sinal é atirado em minha direção, e eu o capturo.
Quando o homem perde a chama para a conquista, ele concede a si mesmo a possibilidade da castração, baixa sua guarda e se torna vulnerável.
Para nunca mais retroceder, avanço em linha de marcha.
E retiro-me desse estágio, dessa decadência… Para nunca mais voltar.
É belo, mas parece apenas simples desejo desesperado.
Parecem palavras ditas da boca para fora. Foi tão difícil enxergar algum tipo de esperança, beleza, prazer, que aceitei continuar sem qualquer um destes. Pois quando a morte saiu de cogitação, a opção tornou-se a tortura constante.
Tolos são os que desprezam a Vida, são os vermes que discursam sobre uma glória medíocre, atacam a harmonia da existência.
Mas não consigo mais enxergar a vitalidade, a alegria da expressão viva.
Há muita dor. Saboreio tão deplorável dor a transformando em orientações para a saída.
Pergunto-me por quê não consigo escapar, imerso numa confusão cataclísmica, o por quê de eu não mais conseguir degustar da Vida. Enquanto meu gosto se esvai, enxergo quem não quis ser e que, entretanto, em algum momento fui.
Não há sabor, não há cores, não há sons, não há sensações. De fato, parece que de mim nada restou… Além do vazio incomensurável.
Os corvos da ágora de sangue me levarão ao Sol oculto, à fúria das tempestades desmaiantes, e voltarei após quebrar o espelho.


